sábado, 9 de novembro de 2013

PELA DIGNIFICAÇÃO DA PRAÇA DO COMÉRCIO, EM DEFESA DE COIMBRA.



Cumprindo a promessa que fiz há algum tempo e de que aqui dei conta, não tenho entrado na Praça do Comércio, em Coimbra, enquanto ela estiver transformada num ofensivo parque de estacionamento. 

Esta manhã de sábado fui espreitar e confesso a minha revolta por continuar a ver um espaço magnífico da minha cidade invadido por carros e carrinhas de forma anárquica de despudorada.

Não sei de quem serão os carros mas tenho de concluir que são de pessoas que não gostam de Coimbra porque com este comportamento a ofendem gratuitamente. Dizem-me alguns que são de comerciantes da Baixa, não acredito. Como é que comerciantes que vivem com imensas dificuldades, vêm a sua atividade comercial carente de clientes se atrevem a degradar o seu ambiente de trabalho afastando inevitavelmente clientes e sendo, como tal, protagonistas da sua própria desgraça.  

Como é possível pensar que uma cidade que tem espaços classificados com Património da Humanidade e que pretende atrair turistas, visitantes, investimento, se permite apresentar um espaço daqueles atulhado de carros e feito espantalho de pessoas.

É óbvio que a Câmara e a Junta de Freguesia têm de atuar mas, antes de mais, neste como noutros casos, os cidadãos de Coimbra têm de se revoltar e exprimir essa revolta em defesa do seu património histórico e urbano mas, sobretudo, do seu património convival e de respeito pelo seu espaço público.

Continuarei a não entrar na Praça do Comércio enquanto esta situação se mantiver  e até deixo o convite aos meus amigos que façam o mesmo e que divulguem sobre todas as formas esta atitude de defesa daquela magnifica praça de Coimbra.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A CERTEZA E A ESPERANÇA

Contrariamente ao que alguns pensam e ao que Salvador Dali declarou há mais de 50 anos, o centro do mundo não fica na gare de Perpignan. O centro do mundo fica aqui, em Coimbra. 
 
Como sabem o centro do mundo é um lugar especial de onde se pode olhar e ver tudo em redor. Melhor, é um lugar onde é obrigatório estar atento, perscrutar o horizonte e saber entender os sinais que a manhã traz e a noite confirma.

Claro que muitos e variados olhos vêm coisas diferentes mas vou agora, a partir daqui, a convite do Diário de Coimbra, falar pelos meus, recusando olhares orientados ou aconselhados. 
 
Aliás, para uma limpeza de olhar nada melhor que começar por ir hoje, a São Martinho do Bispo, à Feira dos 7. Ali é possível sentir o cheiro intenso e sincero de vida que se junta e convive, comer uma sandes de leitão e atirar-se a um saco de tremoços, o que ajudará a melhor ordenar as ideias e a ver o mundo, com a simplicidade e a humanidade de uma sabedoria procurada.

Com este ponto de partida e adotando uma narrativa com este guião, nada melhor do que começar por assumir o desafio da esperança decorrente da ação da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, que verá a sua direção eleita amanhã. 
 
Independentemente das questões legais/institucionais inerentes à sua organização e funcionamento, o que parece essencial é conseguir desde já um ambiente construtivo, baseado numa relação de confiança e numa vontade de trabalho conjunto.

Cansados de tantos estudos, planos estratégicos, declarações de intenções, etc., o que se espera é um entendimento imediato sobre uma agenda de articulação e inclusão intermunicipal que considere a eliminação dos nós górdios que os limites territoriais dos municípios em causa impõem aos cidadãos.

Acima de tudo, que este novo ciclo que agora se inicia se traduza por uma ação conjugada e uma visão de conjunto sem capelanias. Das acessibilidades e da mobilidade intercomunitária às questões da fiscalidade municipal, até ao incremento articulado de âmbito cultural e artístico - que num tempo de crise podem ser um pilar fundamental de desenvolvimento e de criação de riqueza -, há tanta coisa em que se pode de imediato avançar.

Todos os autarcas que vão estar á volta da mesa conhecem suficientemente bem a realidade própria e a vizinha e sabem que a união faz a força, pelo que se lhes pede que ao seu sentido de serviço público juntem um realismo inteligente. Este poderá e deverá ser o início de um tempo de esperança num futuro estruturado numa escala maior e, como tal, politica, económica, cultural e socialmente mais forte. 
 
Do centro do mundo proponho, para começar, um olhar próximo e de esperança na construção de um saudável entendimento entre os vizinhos da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.

(Artigo publicado na edição de 7 de Novembro de 2013, do Diário de Coimbra)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

AGRADECIMENTO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA



Se a vida nos faz permanentes surpresas tenho de confessar que o presidente Cavaco Silva, de quem nunca esperei politicamente nada de jeito,  acabou por me surprender e levar, com a sua recente revelação mariana e santifica, a consultar um “Dicionário dos Santos”, que por mera curiosodade intelectual e prevenção – não fosse um dia vir a ter uma eventrual crise religiosa –, resolvi um dia comprar e que se encontrava arrumado serena e pacatamente entre uns outros dicionários.


Sem ambições políticas mas sabendo que a ignorância não é vida, decidi recorrer ao referido dicionário e passear a minha curiosidade pelo calendário romano e dos beatos portugueses, não vá o presidente, numa nova pedagógica e sábia intervenções invocar, hoje mesmo, um qualquer taumaturgo que eu desconheça e me deixe envergonhado perante os meus amigos.


Pois bem, descobri que hoje, dia 17 de maio, é dia de São Pascoal Baylon. Tenham paciência mas não vou contar-vos o resultado de toda a minha investigação -, é bom que também investiguem e que não passem o tempo a cantar a Grândola Vila Morena  ou a rir-se do e para o Gaspar -, mas notarei que os Franciscanos,  que o acolheram como irmão converso, lhe deram no mosteiro, tarefas muito modestas como: porteiro, servente de refeitório, esmoler, etc. 


Ora convenhamos que esta é uma figura de santo particularmente atractiva para os discursos do presidente da República,  que em conjugação com o actual governo nos vai preparando para estas honradas e modestas tarefas, concretamente a de abrir a porta aos membros da troika, servir-lhes as refeições (bom peixe e bom vinho potuguês) e pedir-lhes, nesta caso também com a intervenção da Senhora de Fátima, que desbloqueiem as verbas previstas após a sétima avaliação positiva do nosso empobrecimento.


Obrigado presidente Cavaco por me ter obrigado a dar uso ao “Dicionário dos Santos”. Por isto nunca mais o esquecerei.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O FUNERAL DAS FESTAS ACADÉMICAS



O formato das festas académicas que vão acontecendo por esse país fora é, sem dúvida, cópia do modelo desenvolvido, com sucesso, aqui por Coimbra, nos últimos anos, pelas empresas produtoras de eventos e de cerveja.

Não têm nada de genuíno, nem são qualquer valia “académica” para os intervenientes, resumindo-se a um bom negócio para as “grandes indústrias” e numa pequena parte para algumas áreas de comércio das cidades.

Morta a simbologia que lhe esteve na origem, hoje pouco resta do ritual de passagem, tendo-se a convicção de que apenas continuarão a existir enquanto derem lucro.

Apesar de tudo muitos ainda acreditavam que havia uma réstia de amizades e cumplicidades que se consolidava nestes momentos, dando nós para o futuro.

Pois bem, o que aconteceu no Porto veio trazer-nos a evidência mais dramática que poderíamos ter da mentira em que se baseiam estas festas. Ficou provado que uns barris de cerveja são muito mais valiosos do que era a vida do Marlon. 

A Federação Académica do Porto pela forma como reagiu ao assassino do Marlon passou a primeira certidão de óbito a estas festas académicas.

Pergunto-me: será que em Coimbra a reação seria diferente? Fico-me com a maldita dúvida: se calhar não.

A REINVENÇÃO DE COIMBRA

Por estes dias os candidatos às eleições autárquicas e os seus apoiantes atarefam-se a fazer os programas de candidatura. Regra geral, documentos circunstanciados, informados por boas ideias e prenhes de promessas salvíficas.

Por mim, e pela experiência acumulada, parece-me que um documento sintético, sem palavras vãs ou promessas incumpríeis, seria o ideal. Ninguém, hoje, lê um programa eleitoral ou, pior ainda, acredita em qualquer programa eleitoral.

Mas o exercício é necessário e útil. Obriga os candidatos a ordenar ideias, dá aos eleitores fidelizados uma justificação de voto e aos mais reflexivos uma busca de mensagens, explícitas e implícitas, para uma tomada de decisão. Diga-se que a decisão mais difícil, no contexto de desconfiança e de desconforto com a ação dos políticos, é a de ir votar, mas adiante.

Independentemente da forma, que os consultores de marketing mais ou menos encartados, irão aconselhar e determinar e que não é despiciendo, o que será que os eleitores de Coimbra esperam ler? Sinceramente não sei! Cada cabeça sua sentença, como diz o povo. Cá por mim, gostava de ser confrontado com uma proposta de reinvenção da minha cidade.

Uma cidade de história e cenário, mas confusa e hesitante, que precisa urgentemente de um novo paradigma existencial. Com tradições adulteradas, espaço desqualificados e valores pervertidos, parece-me que há uma reconstrução a fazer em que os futuros autarcas têm um relevante papel a desempenhar. 

Há um novo espaço público, em que a transparência e o debate assumem particular importância, e a nossa futura Câmara tem de ser uma plataforma de encontro e de partida para novas e aliciantes realidades.

Vivendo, o que podemos chamar de uma “economia de guerra”, sabemos que os escassos meios financeiros de que dispomos exigem não só uma gestão criteriosa mas um direcionamento cirúrgico. Este é um tempo de grande contenção, mas, simultaneamente, um tempo de coragem e de grande ambição no sentido do desenho do futuro. Um futuro digno e, mais uma vez, singular.  

Como eu gostava que me apresentassem uma proposta de reinvenção de Coimbra!

terça-feira, 5 de junho de 2012

INCOMPATIBILIDADES


Para reflectir... e sorrir.


O Primeiro Ministro considera que não são incompatíveis as funções que o Dr. António Borges exerce como responsável (?) pelos processos de privatização em curso e as actividades de gestão num grupo económico.

Uma Direcção Regional para pagar um serviço prestado por uma corporação de Bombeiros Voluntários exige ao presidente da sua Direcção uma Declaração em que diga expressamente: 

"... vem, nos termos e para os efeitos previstos na alínea d) do n.º 2 do Artigo 3.º da Portaria n.º 9/2012 de 10 de Janeiro, declarar sob compromisso de honra que nenhum dos titulares dos orgãos sociais da sua representada, bem como nenhum dos seus colaboradores ou funcionários, respectivo cônjuge, parente ou afim em linha recta ou até ao segundo grau da linha colateral, ou ainda pessoa com quem viva em economia comum, é colaborador ou ex-colaborador da ... (nome da Direcção Regional)".

segunda-feira, 4 de junho de 2012

POBRE ESQUERDA

Na sequência da avaliação da troika, dada hoje a conhecer, o ministro das finanças, mostrou o seu contentamento e disse que: "Cumprimos todos os critérios quantitativos e objectivos estruturais."

Os partidos da oposição, num puro ritual mediático, contestaram e criticaram a alegria do ministro.

Quanto à satisfação do ministro pelos resultados da sua acção política é obviamente sincera porque corresponde às suas reais intenções. O que está a acontecer é o que o governo verdadeiramente deseja. Há uma mudança acelerada de paradigma económico, que o governo e os partidos que o apoiam estão a realizar com êxito e que pretendem, na fase dois, venha a ter correspondência numa mudança aprofundada nas áreas social e política.

Querem desenhar um novo país e por isso a destruição das actuais estruturas e sobretudo dos conceitos solidários de um modelo social que veio sendo construído na sequência de Abril. Quanto maior e mais profunda for a destruição, realizada num momento de confusão e apatia, melhor. A área laboral é aquela que mais pretendem atingir. 

Mão de obra barata, desqualificação profissional, pressão sobre os sindicatos, elitização do ensino, diferenciação na prestação de cuidados de saúde, etc., são desígnios que prosseguem como sustentação do modelo económico e social que anseiam.

Passos Coelho e Victor Gaspar andaram a preparar-se para isto e é óbvio que têm de se sentir felizes por conseguir levar à prática os seus objectivos. É a realização do seu sonho!

No que toca à oposição, hoje toda à esquerda, é um penar ver a sua absoluta incapacidade de acção concertada e convergente na defesa de valores que apregoa como essenciais mas que secundariza na prática. Em Portugal não há hipótese de um governo de esquerda nem de uma oposição organizada de esquerda, pelo que a sua derrota vai acontecendo step by step. O conteúdo e a forma da sua critica ao governo é uma alegria para este e para a direita que o apoia. É um carimbo do seu sucesso.

Pobre esquerda que vai assistindo, em murmúrios inconsequentes,  à sua derrota. Esquerda de que não vai sobrar nada, nem saudades... pela incompetência manifesta de não ter sabido ser poder e por agora não conseguir ser oposição.