segunda-feira, 7 de junho de 2010

A ARTE DA PRUDÊNCIA - 57



Mais fiáveis são os prudentes.

É suficientemente rápido aquilo que está bem. O que se faz depressa, depressa se desfaz. Mas o que deve durar uma eternidade, deve demorar outra afazer-se. Só a perfeição é considerada. Só o acerto permanece. O entendimento profundo consegue eternidades. O que muito vale, muito custa. O metal mais precioso é o que tarda em fundir-se e o mais pesado.

A Arte da Prudência
Baltasar Gracián

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A ARTE DA PRUDÊNCIA - 56


Ter boas improvisações

Nascem de uma afortunada prontidão. Não padecem de apertos nem azares, pela sua vivacidade e desembaraço. Alguns pensam muito para depois se equivocarem em tudo, enquanto outros acertam em tudo sem antes pensar. Alguns têm caudais de antiperístase agindo melhor nas dificuldades. São monstros que em tudo acertam de imediato e que em tudo erram ao pensar. O que lhes ocorre no acto nunca atingirão depois. É preciso elogiar os rápidos, porque demonstram uma capacidade prodigiosa: subtileza nas ideias e prudência nas obras.

A Arte da Prudência
Baltasar Gracián

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A AMNÉSIA PRESIDENCIAL É CONTAGIOSA?


Quem lê os relatos na imprensa do julgamento do director municipal que também era presidente da Académica/OAF, tem um mínimo de conhecimento de como as coisas se passam no âmbito autárquico e na Câmara de Coimbra, fica na dúvida se não se estará perante peças de ficção da autoria dos jornalistas. 

O que leva a acreditar que os relatos não são ficcionados é que são todos iguais e, sobretudo, porque a Câmara de Coimbra era no momento, como ainda é, presidida pelo Dr. Carlos Encarnação. 

Aliás, é sobretudo este último facto que dá maior credibilidade aos relatos porque como bem sabem, todos aqueles que têm privado mais de perto com o presidente da Câmara, este nunca sabe de nada, não ouviu nada, não é responsável por nada, tendo apenas a convicção de que haja o  problema que houver é coisa que já devia ter sido resolvida há trinta anos.

Não é por isso de estranhar que toda a gente  que vai ao Tribunal esteja confusa ou sofra de amnésia. Na verdade a maioria não se conhece nunca se encontrou e só contribuiu com donativos para a Académica/OAF porque não sabia que o seu presidente era simultaneamente director municipal do urbanismo. Aliás muitos terão tido ataques de espanto quando descobriram esta dupla condição. O próprio Dr. Carlos Encarnação não sabia da situação..., foi induzido erradamente na nomeação pelo "malandro" do vereador do urbanismo.

Mesmo quando foi repetidamente questionado sobre o assunto na Assembleia Municipal sempre pensou que estavam a falar de outra pessoa, porventura, do presidente de um clube de petanca ou de uma associação de excursionistas, que não precisava para nada de apoios para as suas actividades.

Agora acreditem, a ignorância dos processos pelo Dr. Carlos Encarnação é verdadeira!

Por exemplo o Dr. Carlos Encarnação não sabia que seu primeiro vice-presidente era presidente da ACIC e que acumulava estas funções com outras em empresas privadas. Tudo legal é claro,  nada de promiscuidades...

E também ignora que nomeou um chefe de divisão para os Recursos Humanos - que enxameou a Câmara de pessoal "devidamente" escolhido, tendo chegado a organizar um concurso para chefes de repartição cujos lugares já estavam extintos -, que era vereador pelo seu partido noutra Câmara e a quem mandou pagar como director municipal, tudo isto com um despacho seu  em que por acaso se esqueceu de colocar a data.

O Dr. Carlos Encarnação é pois um caso de amnésia em estado puro, que merece estudo. E, este estado de desconhecimento de evidências acabou por se propagar na Praça 8 de Maio com surpreendente rapidez, assim como a bagunça que se instalou na área urbanística e de que apenas vão sendo aflorados casos. O que não terá acontecido em todos estes anos?

Enfim, são tantas as faltas de memória que não há espaço para recordar tudo. 

Veja-se que, como recentemente foi noticiado, até se "esqueceu" de que havia sobreiros no espaço que andou a prometer para a construção do Quartel dos Bombeiros Voluntários, depois de ter inviabilizado - já lá vão nove anos - uma solução já aprovada, deixando no fim dos seus mandatos por resolver um problema que já devia estar resolvido há trinta anos.

Como é que no meio disto tudo os empresários da construção civil que tiveram relações com a Câmara nestes mandatos, bem como o ex-vice-presidente com o pelouro do urbanismo, se podem lembrar de alguma coisa ou não estar confusos?

Ou me engano muito ou o Tribunal ainda acaba por arquivar o processo porque vai chegar à conclusão de que tudo se passou noutra Câmara, com outro presidente, outro vice-presidente e que os edifícios de que se fala não passam de construções na areia.

Mas será que o Dr. Carlos Encarnação é presidente da Câmara de Coimbra há nove anos!? Será que ele se lembra? E será que a amnésia presidencial é contagiosa?

PORQUE HOJE É FERIADO

quarta-feira, 2 de junho de 2010

APELO AO LÍDER DO CDS-PP


Na campanha autárquica de 2001, Paulo Portas, então líder do CDS-PP, proclamava pelas feiras do país que o CDS, nos Municípios onde fosse poder, não permitiria a criação de empresas municipais.

Na sequência dessas eleições o CDS, enquanto membro de uma coligação com o PSD e o PPM passou a fazer parte do governo do Município de Coimbra.

Uma das primeiras iniciativas desta coligação foi a da criação da empresa municipal Águas de Coimbra, EM, a que se seguiu a criação da empresa municipal Turismo de Coimbra, sempre com o inequívoco voto favorável dos autarcas do CDS.

Ontem Paulo Portas, hoje líder do CDS-PP, veio afirmar publicamente que metade das empresas municipais não são necessárias e acrescentou: "Era bom que alguém disciplinasse este facto iníquo que é haver num país com a nossa dimensão 2.000 gestores municipais".

Pois bem o líder do CDS-PP, Paulo Portas, faria um favor de coerência e um favor a Coimbra se levasse os seus parceiros de coligação no Município a extinguir, com a máxima urgência, estas duas empresas municipais que efectivamente só servem para dar emprego político e a afundar as finanças municipais.

Como o líder do CDS-PP pode confirmar através dos autarcas do seu partido as atribuições da empresa Águas de Coimbra, EM, era até 2002 realizadas pelos Serviços Municipais de Água e Saneamento de Coimbra, cuja gestão era feita por um conselho de administração em que os gestores tinham direito a uma simbólica senha de presença.

A partir de 2002 passaram a ser pagos equiparados a vereadores, sem que antes não tenham feito uma tentativa sub-reptícia de receber um vencimento mais elevado, tendo sido necessário recorrer à intervenção da então IGAT para corrigir a situação. Acresce a situação agravante que agora as Águas de Coimbra têm reduzido o seu âmbito e volume de trabalho, dado que deixaram de ter a responsabilidade do abastecimento de água em alta.

Por outro lado as atribuições da Turismo de Coimbra eram realizadas pelo Departamento de Cultura da Câmara não se conseguindo vislumbrar o que mudou para além dos encargos.

Quando um dia for possível fazer uma auditoria ao que têm sido os "anos loucos" da gestão da actual maioria haverá muitos cidadãos que ficarão de boca aberta com os disparates cometidos e com o inconcebível despesismo que a caracteriza.

Consciente que há um problema, que alguém deve resolver, o líder do CDS, Paulo Portas, pode começar já a trabalhar para o ajudar a resolver em Coimbra, dado que o seu partido é parceiro de coligação e detentor de poder no Município. Não tem desculpa se não fizer nada.

Fica, por isso, o apelo de um munícipe de Coimbra que não tem dúvidas quanto ao mau uso do dinheiro dos seus impostos e dos seus concidadãos por uma coligação em que o CDS é parte integrante e cujo líder tem um tão agudo conhecimento da situação iníqua que varre o país, com a existência de milhares de desnecessários gestores municipais.

Por favor acabe com eles em Coimbra. Não são precisos para nada.

A CANDIATURA DE MANUEL ALEGRE


A seis meses das eleições presidenciais, salvo algum facto extraordinário, os principais candidatos estão encontrados. Destes, há dois - com o devido respeito pela candidatura de Fernando Nobre - que vão, decerto, capitalizar o voto dos portugueses: Manuel Alegre e Cavaco Silva.

Independentemente das respeitáveis opiniões - a minha também é respeitável - e das habituais "manobras" políticas e mediáticas que aí vêm, Manuel Alegre tem fortes possibilidades de vencer esta disputa eleitoral.

Cavaco Silva foi, enquanto presidente da República, igual a si próprio: timorato, contraditório e inconsequente em muitas decisões relevantes. Fez, sobretudo, um magistério de silêncio e tentou com a "convergência estratégica" intervir na acção do governo de uma forma enviesada, que levou a uma perspectiva patológica de relação institucional. 

Para mais, deixou que Belém tivesse assumido um condenável protagonismo, com o envolvimento na pequena política em tempo de campanha eleitoral para as últimas legislativas e, hoje, ainda que os afloramentos de descontentamento à direita, que se têm vindo a manifestar, não passem de manobras de diversão ou de pressão, sente-se que está "aprisionado" pelo desencanto de muitos daqueles que o elegeram e que não o conseguem entender, o que obviamente o fragiliza para um novo mandato. A confiança e a esperança acabaram por ali!

Manuel Alegre, por seu lado, tendo agora um apoio partidário com que não contava nas anteriores eleições, mantém um alargado apoio de cidadãos que, num empenhado exercício cívico, entendem dar-lhe o seu apoio e o seu entusiasmo.

A candidatura de Manuel Alegre é, assim, uma oportunidade cívica, de mobilização de cidadãos que não se resignam e que desejam ser actores, participando activamente na vida política e acreditando que é possível, com este presidente da República, saborear palavras de futuro imbuídas de humanismo, cultura, solidariedade, equidade e também de memória. Mais, acreditam que estas palavras passa a fazer parte do léxico quotidiano e a influenciar de forma determinante a vida do país.

Manuel Alegre tem pois, contrariamente a Cavaco Silva, a possibilidade de interpretar, como só os poetas sabem, as ambições e sonhos de um povo que se sente mal amado e tratado pelos políticos e simultaneamente a capacidade de actuar, como político experiente que é, na criação de condições de desenvolvimento de um país mais justo e solidário.

Contrariamente ao que já se ouviu, Manuel Alegre vai abrir uma janela de ar puro que permite a entrada consequente, na nossa vida política, de valores essenciais, inerentes a várias gerações, que têm sido subalternizados por um desvario egoísta e hipócrita onde não se vê ética mas ganância.

Para os que já decidiram e desejam participar nesta jornada cívica, assim como para aqueles que ainda vão reflectir, aqui fica o site da candidatura, onde poderão subscrever a Lista Nacional de Apoiantes ou encontrar a Declaração de Propositura da Candidatura, bem como outros elementos e informações:

http://www.manuelalegre.com/