Caro
Pai Natal esta é a primeira vez que lhe escrevo. Na minha infância não o
conhecia, era o Menino Jesus que reinava e se encarregava de me deixar um
simples mas maravilhoso pacote de bolachas, bolachas Maria se bem me lembro, no
sapato que pernoitava junto ao Presépio.
Resolvi
agora, depois da eleição de Donald Trump e quando já tenho a barba branca,
começar a acreditar na sua existência e como tal decidi escrever-lhe porque
tenho ouvido que é um poço de generosidade e que se empenha em satisfazer os
pedidos dos crentes.
Os
meus pedidos, resumem-se a um e não são para mim, são para a minha cidade. São
para Coimbra, um lugar de nascimento, porque aprendi com Marguerite Yourcenar que:
“O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira
vez um olhar de inteligência sobre nós próprios.”
Sabe,
a minha cidade é muito bonita. Tem história, tradição, saber, cultura e
sobretudo gente muito boa. Apesar de tudo isto é notório que vive a angústia da
falta de uma ideia de futuro.
É
consensual que Coimbra tem tudo para ser a grande cidade do centro do país. Grande,
sobretudo numa perspetiva qualitativa, que a imponha como determinante para a
região e para o país. Uma verdadeira capital regional sem necessidade de se
colocar em bicos dos pés, mas que naturalmente agregue vontades e traga
desenvolvimento a esta região.
Sendo
uma canção de amor e tradição sente-se a urgência de que se assuma também, sem
mais perda de tempo, como uma cidade criativa, inovadora e vibrante, pondo
termo à sensação de que há um smog
passadista que a envolve e a fecha ao futuro.
Sabe,
a minha cidade tem um riquíssimo capital humano que não consegue aproveitar.
Tem a sabedoria dos mais velhos, que como eu se habituaram a ser dispensados e
dispensáveis, e a vitalidade, criatividade e imaginação dos mais novos que se consome
no academismo e nas noites de bar.
É
urgente, Pai Natal, que Coimbra seja cada vez mais cosmopolita, que arregace as
mangas a lute por uma maior intensidade cultural, que faça emergir inventores
“selvagens”, e que se torne naquilo que alguns apelidam cidades TGV, isto é
espaços de grande inovação e mobilidade.
Por
tudo isto, aqui vai o meu pedido, caro Pai Natal. Havendo eleições autárquicas
no próximo ano ajude no aparecimento de grandes candidatos. Os melhores que
possa encontrar, porque precisamos de um governo local capaz de nos empolgar e
de realizar as grandes ambições coletivas dos que amam e vivem nesta fantástica
cidade.
Grato
pela atenção.
(Artigo
publicado na edição de 15 de dezembro, do Diário de Coimbra)
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