terça-feira, 20 de abril de 2010

OS CONIMBRICENSES ESTARÃO FELIZES COM A DEMOCRACIA QUE TÊM?


O Dr. Marques Mendes declarou, num debate realizado na Curia, que "os portugueses andam infelizes com a democracia que têm" e justificou esta sua visão do estado de alma dos portugueses com um conjunto de pecados capitais cometidos nestes últimos anos. Pecados, obviamente, cometidos por outros e a que ele será alheio.

Por mim gostava que o Dr. Marques Mendes, utilizando a sua grelha de avaliação, viesse fazer uma análise à qualidade da democracia que se vive em Coimbra, concretamente no que toca ao governo da cidade.

Seria um momento interessante, que poderia começar logo pela análise da sua participação na inauguração do Estádio Sérgio Conceição, em Taveiro - o décimo primeiro estádio do EURO 2004 - organização contra a qual estavam o seu partido, o seu governo e a sua maioria na Câmara.

DIÁLOGOS NA CÂMARA - XV

O vice-presidente aguardava, ansioso, para falar com o presidente. A questão era velha e ele gostava de a resolver até porque também estavam em causa as suas ambições políticas.

- Bom dia, meu caro, hoje parece-me um pouco nervoso. Olhe eu também estou um bocado angustiado - disse o presidente.

- Pois é, senhor presidente, estou preocupado porque queria resolver aquela questão dos terrenos para os Bombeiros e não há maneira - respondeu o vice-presidente que, apesar da sua proverbial boa educação, até se esqueceu de cumprimentar o presidente.

- Não me diga que é isso que o preocupa - atalhou rápido o presidente e acrescentou - ainda bem que o problema não está resolvido.

O vice-presidente nem queria acreditar no que estava a ouvir. Depois de nove anos de promessas e de sucessivas alterações não percebia como é que o presidente lhe dizia agora aquilo e, confuso, perguntou - O senhor presidente está a falar a sério?

- Claro que estou a falar a sério. Então veja, já alterámos o local para que não ficassem junto ao rio, porque o quartel podia ser inundado agora veja o que seria se o quartel fosse construído num lugar alto como tem vindo a ser falado - respondeu o presidente.

- Sinceramente não entendo qual é o problema, senhor presidente - quase exclamou o vice-presidente.

- Calma, então não vê o perigo de o quartel ser construído num alto e de repente ser envolvido pelas cinzas de um vulcão. Era uma desgraça, não acha!? - acrescentou o presidente.

- Mas, senhor presidente, com todo o respeito, isso parece-me absurdo - atreveu-se o vice-presidente.

- Pois é, meu caro. É por essas e por outras que vocês nunca serão grandes políticos. Vá, calmamente, e escreva um cartão simpático à Direcção dos Bombeiros dizendo-lhes que vamos ter de apreciar de novo a questão dos terrenos porque não podemos construir o novo quartel numa zona de risco, por exemplo, temos de ter em atenção se não haverá perigo de ser construído num sítio susceptível de ser envolvido pelas cinzas do Eyjafjallajokull, o que seria uma desgraça - ensinou o presidente.

O vice-presidente pensou, mais uma vez, para com os seus botões, que a realidade ultrapassa frequentemente a ficção e antes de sair pediu - O senhor presidente não se importa de escrever o nome do vulcão...

Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A ARTE DA PRUDÊNCIA - 46

Corrigir a sua antipatia.

Acontece-nos detestar gratuitamente, mesmo antes de conhecer as supostas qualidades. E às vezes esta inata e plebeia aversão atreve-se com os homens eminentes. A prudência deve corrigi-la, pois não há maior descrédito que detestar os melhores. A superioridade que tem a simpatia para com os heróis, tem de desonra a antipatia.

A Arte da Prudência
Baltasar Gracián

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O VALOR POLÍTICO DA BAIXA DE COIMBRA

"POR AMOR DE DEUS, AJUDEM OS COMERCIANTES" é o apelo desesperado que se pode ler no blogue "Questões Nacionais" http://questoesnacionais.blogspot.com/  e que o senhor Luís Fernandes me fez chegar.

Na verdade, a Baixa de Coimbra e particularmente o comércio tradicional, que aí tem uma expressão relevante, vivem uma situação particularmente difícil. O seu desespero é real e fundamentado.

As causas serão múltiplas, no entanto há uma responsabilidade especial da Câmara Municipal que, por omissão ou através de iniciativas absolutamente contraproducentes, tem contribuído decisivamente para este estado de coisas.

Globalmente, a actual Câmara transformou Coimbra  numa uma cidade amorfa e adormecida, sem capacidade de reacção interna e sem "apoios" externos capazes de a ajudarem como ela precisa. É uma cidade decadente, sem nervo político, sem uma estratégia de desenvolvimento e sem uma visão sobre o seu futuro. 

Há aqui um silêncio redutor, imposto e genericamente consentido, que atrofia a criatividade e o conhecimento, na pretensa "Cidade do Conhecimento" e que contribui para a irreversibilidade da sua decadência. Aqui não acontece nada!

A Baixa de Coimbra chapinha para não se afogar e deveria ser uma prioridade  e um objectivo político central do governo da cidade, mas não é. Haverá também uma responsabilidade colectiva, que não tem sido assumida, e há, ainda, uma "amizade" não correspondida por muitos dos que aqui passaram que nela viveram intensos momentos da sua juventude mas que dela se esqueceram definitivamente.

Se porventura alguns dos que lêem este blogue e que desempenham relevantes funções políticas ou empresariais e a quem Coimbra diz alguma coisa peço-lhes que acreditem naquilo que o Senhor Luís Fernandes escreve e diz e que, durante uns momentos, pensem no contributo que poderão dar para ajudar a salvar a Baixa de Coimbra, tendo em atenção que é também muito do espírito e da tradição de Coimbra que está em causa .

Poderão argumentar que este é um problema que cabe resolver ao poder político local, concretamente  à Câmara, aos comerciantes e respectivas organizações e que tem a ver com difícil conjuntura económica, mas não é só. Há sempre uma intervenção pública sobre o assunto que poderão fazer ou  apresentar uma sugestão imaginativa e inovadora que possa gerar iniciativas interessantes que ajudem a minorar o desespero e a motivar a inversão da situação.

Dirão alguns que o Dr. Carlos Encarnação não merece isso. Por favor esqueçam-no e lembrem-se que o essencial é salvar a Baixa, de que ele se "despedirá" daqui a três anos, com o mesmo sorriso de sempre e a repetir aquela triste lenga-lenga de um presidente vencido de que há trinta anos que está tudo por fazer.

Considerarão alguns que esta minha escrita é absolutamente irrelevante e até patética, peço-lhes então que, com algum pragmatismo, considerem a Baixa de Coimbra como uma plataforma política fundamental a uma futura vitória na Câmara.

O que digo aos dirigentes do PSD, CDS e CDU que governam a Câmara, é que uma futura vitória do delfim do Dr. Carlos Encarnação só será possível se olharem e actuarem com urgência na Baixa - elaborando e desenvolvendo um plano especial de intervenção que consiga travar a sua decadência e a do seu comércio. Envergonhem e assustem o Dr. Carlos Encarnação.

Aos dirigentes do PS que façam da Baixa de Coimbra uma bandeira e que se mobilizem numa actuação permanente e consequente da sua defesa. Que apresentem propostas e apoiem os comerciantes, que façam da Baixa uma prioridade concelhia. É preciso ter presente que pela Baixa passam milhares de cidadãos de todo o Concelho e há um passa palavra muito importante que deve ser aproveitado. Envergonhem, assustem e derrotem aqui o Dr. Carlos Encarnação e verão que o resultado final no Município será muito diferente nas próximas eleições.

Aos comerciantes que não tenham medo, falem alto, tomem iniciativas simples e simpáticas - por que não por uma bandeira (já que as bandeiras são moda) de Coimbra em cada montra de modo a que a Baixa seja entendida como uma bandeira de Coimbra. Só é derrotado quem desiste!

A ARTE DA PRUDÊNCIA - 45

 
Usar, e não abusar, das segundas intenções.

Não se devem mostrar nem dar a entender. Deve encobrir-se qualquer artifício, pois é suspeito,  e mais ainda as segundas intenções, pois são odiosas. A falsidade é muito utilizada, por isso, e para evitar a desconfiança, é necessário multiplicar o receio, sem o demonstrar. O receio distancia e convida à vingança, desperta o mal que não se imaginara. A reflexão sobre o comportamento é uma grande vantagem para agir; não há melhor objecto da razão. A maior perfeição das acções depende da segurança com que se realizam.

A Arte da Prudência
Baltasar Gracián

sábado, 10 de abril de 2010

A MÚSICA DE BORIS VIAN


Já que aqui citei Boris Vian, um francês que viveu entre 1920 e 1959 uma vida de intensa boémia, tendo estado ligado ao movimento surrealista, e que, ainda hoje, é particularmente apreciado como escritor e músico, sugiro a audição de algumas das suas criações musicais. 

Para os que não conhecem vai ser uma excelente surpresa e para os que já o apreciam merece sempre a pena voltar a ouvir, por exemplo: "La Java des Bombes Atomiques."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A INFORMAÇÃO E A IMPRENSA



Há, desde há muito, um debate  sobre a informação, o jornalismo, a imprensa, a crítica e as suas implicações políticas. 

Aliás, sobre esta matéria, há todo um manancial de estudos académicos que sustentarão muitas horas de leitura e fundamentarão muitas e boas opiniões, pelo que não me atrevo a entrar na discussão.

Contudo, na impossibilidade de não pudermos deixar de pensar no assunto, transcrevo a seguir algumas afirmações, sobre o tema, de Boris Vian - um homem desassombrado e multifacetado -, produzidas em meados do século passado.

"A imprensa francesa dá provas de uma imparcialidade revoltante e só trata, invariavelmente, os mesmos assuntos: os políticos e os outros criminosos."

"Há tantos caquéticos que têm vontade de falar que seria pecado querer amordaçar esses bons velhos bufos. Mais vale amordaçar a canção, limitar a sua frequência de passagem nas ondas, e dar oportunidade aos professores em busca de auditório ou aos economistas que não têm a sorte de ser ditadores para pôr em prática as suas teorias. Sem contar que o governo também lá está, com a sua interpretação tão pessoal do que é a informação objectiva."

"Dizer idiotices, por estes dias  em que toda a gente reflecte profundamente, é a única forma de provar que temos um pensamento livre e independente."

"Para mim, a mais elevada preocupação do meu tempo é denunciar os mentirosos e os escroques, os escroques da palavra, os escroques do verbo, as pessoas que fazem demagogia verbal. Existe actualmente nos jornais, em tudo o que podemos ler, por todo lado, uma inflação verbal que remete para o discurso eleitoral, naquilo que ele tem de pior."

"Ah! Quantos volumes  não escreveríamos se quiséssemos denunciar a devastação causada pela cretinice absoluta, não tenhamos medo das palavras, de três quartos dos cronistas cuja doutrina parece resumir-se a esse incontestável princípio: nunca consultar as fontes."

"Escusam de ficar incomodados com o lamentável estado da crítica: de uma forma geral, os directores de jornais têm um tal desprezo pelo público que quanto mais idiota for um rapaz (ou uma rapariga) mais hipóteses terá de ser sucedido na imprensa. Requisito exigido: não saber nada."