"POR AMOR DE DEUS, AJUDEM OS COMERCIANTES" é o apelo desesperado que se pode ler no blogue "Questões Nacionais" http://questoesnacionais.blogspot.com/ e que o senhor Luís Fernandes me fez chegar.
Na verdade, a Baixa de Coimbra e particularmente o comércio tradicional, que aí tem uma expressão relevante, vivem uma situação particularmente difícil. O seu desespero é real e fundamentado.
As causas serão múltiplas, no entanto há uma responsabilidade especial da Câmara Municipal que, por omissão ou através de iniciativas absolutamente contraproducentes, tem contribuído decisivamente para este estado de coisas.
Globalmente, a actual Câmara transformou Coimbra numa uma cidade amorfa e adormecida, sem capacidade de reacção interna e sem "apoios" externos capazes de a ajudarem como ela precisa. É uma cidade decadente, sem nervo político, sem uma estratégia de desenvolvimento e sem uma visão sobre o seu futuro.
Há aqui um silêncio redutor, imposto e genericamente consentido, que atrofia a criatividade e o conhecimento, na pretensa "Cidade do Conhecimento" e que contribui para a irreversibilidade da sua decadência. Aqui não acontece nada!
A Baixa de Coimbra chapinha para não se afogar e deveria ser uma prioridade e um objectivo político central do governo da cidade, mas não é. Haverá também uma responsabilidade colectiva, que não tem sido assumida, e há, ainda, uma "amizade" não correspondida por muitos dos que aqui passaram que nela viveram intensos momentos da sua juventude mas que dela se esqueceram definitivamente.
Se porventura alguns dos que lêem este blogue e que desempenham relevantes funções políticas ou empresariais e a quem Coimbra diz alguma coisa peço-lhes que acreditem naquilo que o Senhor Luís Fernandes escreve e diz e que, durante uns momentos, pensem no contributo que poderão dar para ajudar a salvar a Baixa de Coimbra, tendo em atenção que é também muito do espírito e da tradição de Coimbra que está em causa .
Poderão argumentar que este é um problema que cabe resolver ao poder político local, concretamente à Câmara, aos comerciantes e respectivas organizações e que tem a ver com difícil conjuntura económica, mas não é só. Há sempre uma intervenção pública sobre o assunto que poderão fazer ou apresentar uma sugestão imaginativa e inovadora que possa gerar iniciativas interessantes que ajudem a minorar o desespero e a motivar a inversão da situação.
Dirão alguns que o Dr. Carlos Encarnação não merece isso. Por favor esqueçam-no e lembrem-se que o essencial é salvar a Baixa, de que ele se "despedirá" daqui a três anos, com o mesmo sorriso de sempre e a repetir aquela triste lenga-lenga de um presidente vencido de que há trinta anos que está tudo por fazer.
Considerarão alguns que esta minha escrita é absolutamente irrelevante e até patética, peço-lhes então que, com algum pragmatismo, considerem a Baixa de Coimbra como uma plataforma política fundamental a uma futura vitória na Câmara.
O que digo aos dirigentes do PSD, CDS e CDU que governam a Câmara, é que uma futura vitória do delfim do Dr. Carlos Encarnação só será possível se olharem e actuarem com urgência na Baixa - elaborando e desenvolvendo um plano especial de intervenção que consiga travar a sua decadência e a do seu comércio. Envergonhem e assustem o Dr. Carlos Encarnação.
Aos dirigentes do PS que façam da Baixa de Coimbra uma bandeira e que se mobilizem numa actuação permanente e consequente da sua defesa. Que apresentem propostas e apoiem os comerciantes, que façam da Baixa uma prioridade concelhia. É preciso ter presente que pela Baixa passam milhares de cidadãos de todo o Concelho e há um passa palavra muito importante que deve ser aproveitado. Envergonhem, assustem e derrotem aqui o Dr. Carlos Encarnação e verão que o resultado final no Município será muito diferente nas próximas eleições.
Aos comerciantes que não tenham medo, falem alto, tomem iniciativas simples e simpáticas - por que não por uma bandeira (já que as bandeiras são moda) de Coimbra em cada montra de modo a que a Baixa seja entendida como uma bandeira de Coimbra. Só é derrotado quem desiste!