quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A ARTE DA PRUDÊNCIA - 70


Saber negar.

Não se deve conceder tudo, nem a todos. É tão importante saber negar como saber conceder e nos que mandam é uma prudência necessária. E aqui intervém a fórmula: estima-se mais o não de alguns que o sim de outros, porque um não dourado, satisfaz mais que um seco sim. Há muita gente que tem sempre o não na boca, estragando sempre tudo. Neles o não vem sempre em primeiro lugar, e ainda que depois de tudo acabem por conceder, não se tem muito em conta devido ao desgosto inicial. Não se devem negar as coisas de chofre, pois é melhor uma decepção aos sorvos. Também não se deve negar de todo, pois suprimir-se-ia a dependência. É melhor que fiquem sempre uns restos de esperança para suavizar o amargo da negativa. A cortesia deve preencher o vazio do favor e as boas palavras suprimem a falta de obras. O não e o sim são fáceis de dizer e exigem muita reflexão.

A Arte da Prudência
Baltasar Gracián

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A MORAL DO PROBLEMA


Dizia o presidente Carlos Encarnação, perante a situação de acumulação de um director municipal do urbanismo com a presidência de um clube de futebol, que não passava de um problema moral que só ao referido director cabia considerar.

Assim, apenas com a moral pelo meio, aconteceu a amoralidade de durante três anos a situação se ter arrastado e de a instituição Câmara de Coimbra se ver envolvida - como nunca tinha acontecido na sua história - num triste processo e num triste espectáculo que se desenrola publicamente nos bancos do Tribunal.

Claro que toda a gente sabia e sabe que o problema não era moral, era um problema político em que um presidente "qualificado" como grande político - porque se sabe safar seja à custa de quem e do que for - envolveu a instituição que governa a cidade, desqualificando-a e desprestigiando-a.  

A cada dia que passa e perante o que se vai sabendo mais se percebe a incompetência de um governo autárquico onde: "Simões aprovou o que Rebelo indeferiu", como noticiava um jornal e que significa que o director municipal se dava ao luxo de revogar a seu belo prazer alterar decisões do vereador. E quantas não terão sido?

Não haveria aqui, pelo menos, uma questãozita disciplinar?

Como se vai vendo o problema não era moral e o que se vai concluindo é que a moral do problema está no inqualificável comportamento político do presidente da Câmara.

O que não terá acontecido durante estes anos na Câmara de Coimbra!?

UMA DESCOBERTA SERÔDIA


É impossível não registar a descoberta serôdia, por parte de alguns militantes do PS Coimbra, da fragilidade política, para não dizer incapacidade, do actual líder distrital e candidato Victor Baptista.

"Mais vale tarde do que nunca" - diz o povo e diz bem -, mas que não se pode deixar de registar que em política o mérito está na previsão e na antecipação.

Há estragos de anos dificilmente reparáveis e quando sobre eles e o seu autor se alertou não restou mais do que o silêncio cúmplice.  

Também é verdade que o pragmatismo e a oportunidade são méritos políticos reconhecidos. 

O que é doloroso é ficar na dúvida sobre o que irão dizer amanhã, depois das eleições.

LA CÂMARA


Era uma Câmara
Muito engraçada
Não tinha presidente
Não tinha nada
Nem todos podiam entrar nela, não
Porque a Câmara tinha alçapão
Alguns podiam despachar mais cedo
Porque na Câmara havia segredo
Poucos sabiam o que se passava ali
Nem presidente nem vereador
Quem mandava ali era um director
Dizia o presidente em desespero
Mas era gerida com muito esmero
Na Praça 8 de Maio
Número zero

Nota: Adaptada de "La Casa" de Vinicius de Moraes e inspirada nos relatos de um julgamento que vai acontecendo na nossa cidade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A ARTE DA PRUDÊNCIA - 69


Não se entregar ao mau humor.

Um grande homem nunca se sujeita às variações anímicas. É uma lição de prudência a reflexão sobre si próprio, conhecer a sua verdadeira disposição, preveni-la e mesmo desviar-se até o outro extremo para encontrar o equilíbrio do bom-senso entre a natureza e a arte. Conhecer-se é começar a corrigir-se. Há monstros de impertinência que estão sempre de mau humor e os afectos variam com ele; eternamente arrastados por esta grosseira destemperança, aventuram-se de forma contraditória. E este excesso não só corrompe a vontade, como atinge o discernimento, e altera a vontade e o entendimento.

A Arte da Prudência
Baltasar Gracián

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

VIVAM AS CABRAS!


Soubemos, no pico do verão, que um exército de cabras - integrando um projecto luso-espanhol - vai começar a pastar terrenos da raia, desrespeitando o traçado fronteiriço que tanto custou a definir.

No seu pastar incansável, irão "limpar" terrenos abandonados, pastoreadas, decerto, por pastores bilingues  e com o leite será produzido queijo que, terá uma meia cura republicano/monárquica. 
 
A ideia parece meritória e representa um avanço no desenvolvimento do interior, que passará a ter um número muito superior de cabras per-capita relativamente ao sempre beneficiado litoral.  

Se a limpeza feita pelas cabras resultar e se o seu leite vier a ser rentável, deverá ser equacionada a sua utilização futura na "limpeza e preparação" das listas partidárias, sempre que haja eleições internas, o que poupará os lancinantes dramas a que, invariavelmente assistimos e que tão desprestigiantes se revelam. 

O problema é que deverá ser muito mais difícil um entendimento intra-partidário, sobre os militantes com direito a voto por causa das clientelas, do que  estabelecer o número de cabras num projecto internacional de pastorícia.

Vivam as cabras!

MÊS DE PROMESSAS


Agosto cumpriu. Houve calor, casamentos, nascimentos, luto, praia, festivais, incêndios, tolices políticas e a loucura das mortes em estúpidos acidentes de trânsito. Acabou trazendo-nos a rentrée futebolística e meia rentrée política.  Tudo normal, portanto.

Setembro é sempre um mês de promessas, de todas as promessas. 1 de Setembro é um bom dia para recomeçar a escrita.

Não é contudo possível recomeçar sem referir a morte de George David Weis, autor da fantástica canção - que é preciso ir ouvindo, na extraordinária voz de Louis Amstrong -, "What A Wonderful World".